
Tecnologia odontológica brasileira no exterior acaba de dar um passo concreto: um tomógrafo desenvolvido e fabricado no Brasil passou a integrar a formação de especialistas em radiologia odontológica de uma das principais universidades da Indonésia. A Alliage, pela divisão de Raio-X da Dabi Atlante, instalou um Eagle Edge 3D na Faculdade de Odontologia da Universitas Gadjah Mada (UGM), que usa o equipamento como base da residência em Radiologia Odontológica que a instituição está começando agora.
O que aconteceu
A parceria foi viabilizada com a PT Cobra Dental Indonésia, distribuidora local, e coloca o equipamento brasileiro dentro de uma faculdade de peso: a UGM recebe cerca de 200 alunos novos por ano e mantém hoje algo em torno de 900 estudantes ativos. Não é uma venda pontual de equipamento parado numa sala de exposição, é a tecnologia entrando no currículo, na rotina de quem está se formando especialista.
O Eagle Edge 3D tem campo de visão de até 21 por 16 centímetros, o que permite exames de cabeça completa numa única aquisição e uma leitura ampla das estruturas anatômicas. Para um programa de residência, isso muda o tipo de contato que o aluno tem com a imagem: em vez de estudar radiologia 3D só na teoria e só encostar num tomógrafo de verdade depois de formado, o residente da UGM aprende, desde a especialização, a adquirir o exame, escolher o protocolo e o campo de visão conforme o caso clínico, e usar essa imagem no diagnóstico e no planejamento do tratamento.
A formação do especialista, contada por quem vendeu o equipamento
“A incorporação de novas tecnologias à formação é importante para preparar os especialistas para uma odontologia cada vez mais digital. O contato ainda durante a especialização permite que esses profissionais desenvolvam conhecimento prático sobre recursos que já fazem parte da evolução do diagnóstico por imagem”, afirma Rafael Ferrassini, Gerente Geral da Alliage International.
Concordo com o raciocínio, e vejo um paralelo direto (mesmo em realidades bem diferentes) com o que já vale por aqui: quem acompanha de perto a jornada de formação e especialização na carreira odontológica sabe que o momento em que a tecnologia entra na trajetória do dentista pesa tanto quanto o curso em si. Programa que oferece contato real com o equipamento, e não só slide de aula teórica, entrega uma bagagem diferente, e isso costuma aparecer depois no consultório, na segurança de atender casos mais complexos. É um fator a mais para quem está fazendo a conta de se a especialização compensa o investimento: o retorno não vem só do diploma, vem também da experiência prática acumulada no caminho até ele.
Tecnologia odontológica brasileira no exterior: por que isso é uma conquista da indústria nacional
Acho notável que uma empresa com sede em Ribeirão Preto esteja hoje presente em mais de 50 países, com 40% da receita vindo do mercado externo. Não é um número decorativo. É prova de que dá para desenvolver tecnologia de diagnóstico por imagem odontológico no Brasil e competir de igual para igual com fabricantes de mercados tradicionalmente mais fortes em odontologia digital. O Eagle Edge, na ficha técnica da própria Dabi Atlante, chega a oferecer campo de visão de até 16 x 21 cm com recursos de correção de movimento e redução de artefato metálico, tecnologia de ponta que já não é exclusividade de fabricante europeu ou americano.
A Indonésia não é um mercado fácil. O país tem características geográficas e socioeconômicas que ainda limitam o acesso a soluções odontológicas avançadas em boa parte do território, e a Alliage escolheu entrar não só vendendo equipamento, mas se aproximando de instituições de ensino, formando quem vai usar a tecnologia antes mesmo de ela virar produto de prateleira por lá. A empresa já sinaliza que pretende repetir esse modelo de parceria acadêmica em outros países, o que sugere que essa não foi uma ação pontual de marketing, e sim um método de entrada em mercado.
Não é a primeira vez que a marca aparece por aqui recentemente: também cobrimos como a Saevo, marca irmã da Alliage, levou seu portfólio de equipamentos de diagnóstico digital ao evento DBX 2026, em São Paulo. São dois fatos distintos (um é mercado interno, outro é internacionalização), mas juntos mostram uma indústria odontológica brasileira que investe pesado em diagnóstico por imagem, dentro e fora do país.
O que eu vejo nisso
Não vou forçar um gancho de “o que isso muda para o seu consultório amanhã”, porque não muda nada de imediato: ninguém vai atender diferente por causa de uma instalação em Yogyakarta. O que fica é outra coisa. Quando um equipamento nacional passa a equipar a residência em radiologia odontológica de uma universidade de quase mil alunos do outro lado do mundo, fica mais difícil sustentar a ideia de que tecnologia odontológica boa é sinônimo de importada. Formar residentes estrangeiros com equipamento brasileiro é o tipo de prova de conceito que nenhuma campanha publicitária compra.
Perguntas frequentes
Qual equipamento a Alliage instalou na universidade indonésia?
Um tomógrafo Eagle Edge 3D, da divisão de Raio-X da Dabi Atlante (Alliage), com campo de visão de até 21 por 16 centímetros, capaz de realizar exames de cabeça completa e oferecer visualização ampla das estruturas anatômicas para diagnóstico e planejamento de tratamento.
Como o equipamento vai ser usado pela universidade?
Ele é a base tecnológica da nova residência em Radiologia Odontológica da Faculdade de Odontologia da Universitas Gadjah Mada (UGM), na Indonésia, usado na formação prática dos residentes e integrado à estrutura do departamento de Odontologia da instituição, que tem cerca de 900 alunos ativos.
Em quantos países a Alliage já atua?
A empresa exporta suas tecnologias para mais de 50 países, e cerca de 40% da sua receita já vem do mercado externo, segundo dados divulgados pela companhia.
Por que a Alliage escolheu a Indonésia como mercado estratégico?
A empresa aponta o potencial de crescimento da odontologia local e o avanço da digitalização do setor no país, além de diferenças geográficas e socioeconômicas que ainda limitam o acesso a tecnologias avançadas em boa parte do território, o que abre espaço para parcerias com instituições de ensino como forma de entrada no mercado.